domingo, 7 de fevereiro de 2010

Avatar

Síntese do Filme “Avatar”

Avatar é um filme de ficção científica escrito e dirigido por James Cameron. Concentra-se num conflito épico em Pandora, uma das luas de Polifemo. Aqui, os colonizadores humanos e os nativos humanóides, os Na'vi, corpos humanos geneticamente modificados, entram em guerra pelos recursos do planeta e a continuação da existência da espécie nativa.
No ano 2154 d.C., a corporativa humana RDA explora um precioso minério em Pandora, habitada por uma espécie de humanóides chamada Na'vi, que vive em harmonia com a natureza. Eles veneram uma deusa chamada Eywa. Os humanos não são capazes de respirar na atmosfera de Pandora, rica em dióxido de carbono. Além disso, não têm uma convivência pacífica com os Na'vi por não entenderem a sua cultura de venerar a natureza.
Os pesquisadores humanos coordenados por Dra. Grace Augustine criaram o Programa Avatar gerador de híbridos humano-Na'vi. Um humano que compartilhe material genético com um Avatar é mentalmente ligado e pode conectar-se através de ligações neuronais que permitem o controlo do corpo do Avatar. Jake Sully é um ex-fuzileiro paraplégico, que vai para Pandora. Jake nunca usou um Avatar e não tem nenhum conhecimento sobre a cultura Na'vi. A equipa de pesquisa deixa que ele participe no programa, tendo-o mais como um segurança do que como um cientista.
Quando Jake serve de segurança à Grace e ao biólogo Norm Spellman, em forma de Avatar, é atacado por uma criatura local e perde-se do resto do grupo. Na selva, é salvo por uma Na'vi fêmea, Neytiri que inicialmente quer deixar Jake, mas após ser coberto por sementes da Árvore da Vida, decide levá-lo para a Casa da Árvore, onde mora o seu clã, os Omaticaya.
Quando o Coronel Miles Quaritch sabe da ligação próxima de Jake aos Na'Vi, ensinado sobre Pandora por Neytiri, promete-lhe pernas funcionais em troca de convencer os Omaticaya a saírem da Casa da Árvore. Jake começa a preferir o modo de vida dos Na'Vi, une-se aos Omaticaya e inicia um relacionamento com Neytiri. A sua mudança de lealdade é demonstrada quando Jake ataca máquinas da RDA que vieram destruir a Casa da Árvore. Perante isto, Quaritch desliga Jake do seu avatar e descobre o seu video-diário onde esta diz que os Na'Vi jamais deixarão a região, o que leva a que Quaritch ordene a destruição da Árvore embora com a discordância de Grace, por considerar que isso afectaria a rede neuronal bio-botânica de Pandora.
Os Omaticaya consideram Jake e Grace traidores e aprisionam-nos o que provoca rebelião. Mais tarde, Grace é ferida e Jake vai pedir ajuda aos Omaticaya para a salvar. Há uma tentativa de transferir a alma de Grace para o seu avatar, mas os ferimentos da cientista são graves demais e ela morre.
Jake e Tsu'Tey, usam Toruk para voar até os diferentes clãs Na'Vi e convencê-los a juntarem-se à sua luta. Depois, Jake ora para Eywa, pedindo a sua ajuda. Na batalha que se segue, muitos Na'Vi morrem. Quando a derrota parece próxima, a fauna de Pandora ataca e tira a vantagem a RDA. Jake é exposto à atmosfera e quase morre, mas é salvo por Neytiri após esta matar Quaritch.
Selfridge e os militares são expulsos de Pandora, mas os Na'Vi aceitam a permanência dos cientistas. Jake torna-se líder dos Omaticaya, com a alma transferida permanentemente para seu avatar por meio da Árvore das Almas.
Este filme evidencia claramente as divergências entre os humanos. Diferentes culturas, diferentes raças, diferentes crenças que tornam uma sociedade mais rica. Porém, por vezes, determinadas pessoas não aceitam a existência de uma outra cultura que pode ser interessante ou mesmo fascinante. Existem vários estereótipos que têm as suas próprias características, como por exemplo os habitantes de Pandora, caracterizados por uma língua diferente, acreditando em poderosos líderes, na Árvore das Almas, etc. São um povo unido que mostra valores como a lealdade, solidariedade, compaixão, amor, amizade, ou seja, espirituais, que valoriza a natureza, a paz e a tolerância.
Os Na’vi acreditam nos seus rituais e acima de tudo, acreditam em si mesmos, que são fortes, que se conseguem defender, como povo unido que são, das ameaças feitas pelos humanos, que, pelo contrário, querem a todo o custo mover os Na’vi para outro local, pois a zona onde estes habitam é rica em reservas de um precioso minério chamado Unobtainium. Ou seja, há uma luta por um valor material que pode levar à fúria dos que pretendem obter o tal precioso minério e à destruição dos inocentes, os Na’vi. Estes só querem que os deixem em paz para deste modo viverem em harmonia. Mas, Jake e os seus companheiros acreditam que os Na’vi, considerados pelos humanos como primitivos, são um povo como todos os outros que têm o direito de não lhes ser destruída a sua casa.
“ Avatar ” apela também à sinceridade e mostra-nos como uma pessoa que inicialmente está disposta a contribuir para a destruição de uma comunidade, a partir do momento que começa a interagir e comunicar com ela, consegue mudar de opinião. A integração num novo povo pode mudar a forma de pensar de certas pessoas.
O filme transmite a mensagem de que todas as culturas devem ser respeitadas e aceites, não podendo, por serem minoritárias, ser ultrapassadas por outras, sem hipótese de defesa.
“Avatar ” pode, por outro lado, mostrar a evolução a vida ao longo do tempo. Os Na’vi eram um pouco semelhantes ao ser humano, apesar de terem caudas, perto de 3 metros de altura e ossos naturalmente muito fortes. Então, nada nos leva a contradizer a possibilidade de daqui a milhões de anos com todas as mutações, diferenças ambientais e sociais, o ser humano evoluir para algo mais puro, mais fascinante.
É possível considerar este filme como um primeiro passo em busca da pura de um dos maiores males do homem: a ganância, não deixando, contudo, de dar relevo à esperança e persistência, numa trama onde para se alcançar os objectivos e ultrapassar obstáculos é necessário possuir estas virtudes. Tratando um choque de culturas e procura transmitir conceitos de religião, filosofia, ecologia, ciência e mitologia de uma forma constante, James Cameron faz do filme um veículo de introspecção, através da ficção de um mundo de novas descobertas e experiências, com amor e redenção, onde parece aceitar, como Descartes, que o corpo e a mente funcionam de forma misteriosamente sincronizada regidos por leis criadas por Deuses.
Surge a dúvida a muitos se Avatar não será um pedido de desculpa dos americanos ao povo indígena e à sua filosofia, numa tentativa de redimir-se dos erros históricos cometidos.

Trabalho realizado por:
Mariana Amaral 11ºB N.º 16
Nuno Rodrigues 11.º B N.º17

Retórica

Retórica nos dias de hoje – persuasão ou manipulação?

Genericamente, retórica entende-se pela disciplina consagrada ao ensino da arte de bem falar. Desde o séc. V a.C., a retórica constituiu um dos principais fundamentos da formação humanística dos jovens. Em consequência do desenvolvimento da retórica pública entre os sofistas, a retórica passou a ocupar um lugar primordial no período final do currículo escolar, apesar da reacção anti-sofista de Platão.
Para Górgias, um sofista daquela época, a retórica caracterizava-se pela “arte de persuadir pela palavra os participantes de qualquer espécie de reunião política e tem por objecto o justo e o injusto. Ela proporciona a quem a possui ao mesmo tempo liberdade para si próprio e domínio sobre os outros na cidade”, em que “o orador conseguirá que o prefiram a qualquer outro, porque não há matéria sobre a qual um orador não fale, diante da multidão, de maneira mais persuasiva do que qualquer profissional”. Aqui não estão subjacentes os conceitos de razão e de verdade, mas sim de manipulação, isto é, convencer o outro da sua tese independentemente de ela estar assente em factos reais e verídicos ou não. Estas técnicas eram ensinadas aos jovens com vista a ascenderem na carreira política. Os pontos de vista filosóficos que os sofistas tratavam prendiam-se pela origem do conhecimento e a possibilidade do homem conhecer. No entanto todos eles eram cépticos quanto ao conhecimento, sendo este relativo ao sujeito. Assim, não havia uma verdade universal, mas sim particular, de acordo com as opiniões e crenças de cada um. Logo, embora os sofistas ensinassem tudo isso, eles próprio duvidavam constantemente do mesmo, o que faz com que, de certa forma, eles não acreditassem naquilo que alegavam ensinar.
Platão oponha-se a esta forma manipuladora de conceber a retórica. Ele dizia que o orador só consegue ser persuadido se o auditório não for conhecedor da matéria que está a ser tratada, porque se for ele não consegue ser mais persuasivo que um profissional. A postura de Platão quanto à retórica era totalmente diferente, este considerava que é a partir da argumentação e da dialéctica, e através da razão, que se pode chegar à verdade. Ou seja, Platão via a retórica como uma actividade empírica, com a finalidade de provocar na audiência um sentimento de prazer e de agrado. Para isto tem que se partir de uma base racional e ter como objectivo primordial o bem.
A retórica variou ao longo de sucessivas reinterpretações, por vezes polémicas, em função dos tempos e das pessoas que sobre ela teorizaram, a aprenderam ou ensinaram. Mas agora, resta-nos saber como vemos a retórica nos dias de hoje, e que papel assume nas diferentes áreas do saber, bem como nos diferentes ramos da sociedade.
Começando por um exemplo que nos é bastante familiar, a escola, e alertando para o facto do nosso regime político ser a República; a informação é-nos transmitida de acordo com um programa previamente estipulado, baseado em factos científicos. Esta tem como principal função que os alunos adquirem conhecimentos que serão úteis para o seu futuro; pelo que se depreende que aqui haja somente persuasão. Não lhes é incutido que pensem de uma determinada forma, mas pelo contrário, que tenham espírito crítico e que pensem por eles próprios. Em oposição encontram-se os regimes de ditadura em que eram, e em alguns países ainda são, incutidas nas crianças apenas os ideais daquele regime político, como que a não lhes darem espaço e oportunidade para terem as suas próprias ideias, mas pelo contrário, levarem-nas a agir do modo que se adeqúe mais aos seus interesses; este é um exemplo claro de manipulação.
Outro exemplo de pura persuasão é a ciência, isto é, as teorias científicas credíveis e comprovadas, com o simples e único intuito de descobrir um pouco mais sobre o que nos rodeia e dar mais respostas à humanidade. Uma vez que, a ciência, bem como outras áreas da nossa sociedade, podem também ser usadas como pretexto para certos tipos de manipulação, o que mencionarei mais à frente.
Um lugar onde devia prevalecer a persuasão acima de tudo, e onde tudo se vê menos persuasão, é sem dúvida a política. Aqui a argumentação é fundamental, mas entenda-se por argumentação válida e não falaciosa, como é óbvio. No entanto, este conceito de argumentação deve ter sofrido bastantes alterações no vocabulário dos políticos; pois, actualmente, o principal não é mostrar que eles são bons candidatos porque fizeram isto e aquilo ou porque acreditam e defendem certos ideais, mas sim, porque o outro não fez aquilo que devia ter feito, não defendeu aquilo que devia ter defendido. Apenas num simples discurso são mais as falácias, principalmente ad hominem, do que propriamente argumentos válidos e sólidos; mas pelo menos temos que ver o lado bom da questão, os políticos estão preocupados com o nosso desempenho na disciplina de filosofia, tornam as nossas aulas cada vez mais ricas, pois exemplos de falácias é coisa que não nos falta! Para além de todo este panorama, é a maneira impressionante de como os membros do governo manipulam tudo e todos. Tomemos como primeiro exemplo o caso das escutas que envolveram certas personalidades, entre as quais o Primeiro Ministro, várias opiniões surgiram no que conta à publicação das mesmas de modo a ilibá-lo, o facto é que depois de muita controvérsia, todo este assunto foi abafado e nada chegou até ao público; mas realmente até têm uma certa razão, robalos é coisa que não interessa a ninguém! Outro caso é o da Casa Pia, em que os membros relacionados com o governo e que foram acusados, imediatamente foram ilibados; enquanto todos os outros começaram a ser julgados, e mesmo assim, passados dez anos, ainda conseguem arranjar novas provas, sabe-se lá de onde, como álibis.
Continuando por todo este sector, chegam-nos os tribunais, onde a palavra “persuasão” devia ser considerada praticamente sagrada. No entanto, todos os dias nos deparamos com casos onde as provas existentes são totalmente manipuladas e onde as inexistentes surgem-nos quase que por magia. O que nos deixa um pouco apreensivos quanto ao nosso modelo de justiça, bem como à forma como é aplicada.
Por outro lado, também nos surgem os meios de comunicação, uma vez que não há melhor forma de chegar às populações do que através dos jornais, das revistas, da rádio e da televisão. Remetendo para os noticiários, estes possuem praticamente um total controlo sobre a maior parte de informação que chega até às pessoas. Possuindo este poder, eles têm facilidade em fazer passar a imagem que pretendem sobre uma matéria, levá-las a pensar de uma certa forma; e isto está patente sob diversas maneiras. Uma primeira é o facto de cada vez se ver mais jornalistas a transmitirem a sua opinião pessoal e a prenunciarem-se sobre um determinado assunto; o que nesta profissão é completamente proibido, um dos princípios de um jornalista é nunca dar a sua opinião, quer de uma forma implícita ou explícita. Pelo que pudemos concluir que as notícias podem ser e são usadas como meio de manipulação; assim, estas não nos surgem todos os dias nos nossos ecrãs porque simplesmente houve algum acontecimento que revela importância, mas porque convém que apareçam. Por outro lado, quando há situações em que certos factos convém que sejam encobertos, lá aparecem outras notícias pelo meio, sem interesse praticamente nenhum, e que no entanto duram dias e dias. Um exemplo de tal foi o cancelamento do Jornal de Sexta, em que a jornalista Manuela Moura Guedes se pronunciava acerca de notícias relativas ao Governo, sobretudo do Primeiro-ministro. Notícias essas um pouco desagradáveis para os implicados, visto que uma mancha de tinta caía sobre os seus bons nomes e, pronto, não era bem! Outro exemplo similar foi o caso do programa “As Escolhas de Marcelo Rebelo de Sousa”, em que como as críticas começaram a ser excessivas, houve o cuidado de fazer com que apenas uma minoria visse o programa, assim este passou a não ter um horário fixo, até que foi completamente excluído da televisão pública.
Num panorama mais alargado, ainda remetendo para a situação anteriormente abordada, encontramos certos casos que se arrastam durante anos, que depois vão amainando, até que surgem outros novos; parecendo-se mais como uma forma de entreter as pessoas e deixá-las ocupadas a pensar noutros assuntos, para não se lembrarem realmente das situações cruciais. Um destes casos são, por exemplo, todas aquelas histórias de extraterrestres que durante muito tempo assolaram os Estados Unidos, tudo isto vai desde imagens, vídeos, desenhos até depoimentos de pessoas. Até se chegou ao ponto de transformar toda uma cidade numa atracção turística com esta temática, Roswell, e a serem realizadas séries dentro do mesmo assunto, como os “Ficheiros Secretos” e “Roswell”. A partir daqui pudemos colocar as seguintes questões: foi tudo isto realmente verdade, ou um rebuscado golpe de manipulação? O que está por detrás de tudo isto, interesses económicos ou a curiosidade de uns homenzinhos verdes em virem-nos visitar? Será que quando tudo isto se passou este era o maior acontecimento que se passava ou era apenas uma forma de encobrir algo ainda mais grandioso? Todas estas questões levam-nos mais além, será o FBI realmente uma grande polícia ou mais uma máfia ao serviço dos Estados Unidos? Se não é, por que é que então também existem crimes que de um momento para o outro desaparecem? E porque será que agora estão em voga certas séries, como a “Vingadora” e “Dollhouse”, que fazem de tudo para passar a imagem de que certas organizações, como a CIA, é que constituem as grandes máfias? Só acrescento o seguinte: a grande percentagem de filmes e séries vistos por todos nós vêm dos Estados Unidos, logo eles têm um grande poder e uma grande influência sobre como nós vemos a realidade que não nos está tão próxima, como os outros povos do mundo ou os grandes líderes mundiais.
Outro meio que nos influencia bastante é claramente a publicidade. O objectivo desta é persuadir o público-alvo de forma a levá-lo a adquirir um determinado bem ou produto; respeitando acima de tudo a dignidade humana, a língua, e as boas práticas sociais; encontrando-se no patamar mais elevado a verdade, em que no anúncio publicitário tudo tem que ser verídico e credível. No entanto, assistimos ao oposto, a publicidade cada vez mais se está a tornar num meio de persuadir as pessoas, apresentando qualidades que excedem o produto, impondo uma certa pressão às pessoas, colocando-as numa posição inferior perante a sociedade se não o adquirirem, e super valorizando aquele bem em detrimento de outros semelhantes. Todos os dias somos bombardeados com publicidade quer queiramos quer não, ao ver televisão, ouvir rádio, ler um jornal ou uma revista, passear na rua, conduzir, e até mesmo nos sítios em que é de todo impossível, lá aparece uma alma do outro lado da linha telefónica a tentar vender-nos alguma coisa.
Uma outra forma de manipular as pessoas é fazer-lhes chegar a mensagem através daquilo que lhes é familiar, e para isso nada melhor do que pegar nas suas crenças, ou seja, através da religião. Não irei abordar nenhuma em concreto, mas vou apenas mencionar alguns aspectos de diferentes religiões. Um dos casos prende-se com as aparições de Fátima, pelo que muitas pessoas pensam que foi uma manipulação do regime fascista para manter ocupadas as mentes das pessoas. Também temos os atentados terroristas por parte dos povos islâmicos, em que eles se suicidam matando consigo um elevado número de pessoas, pois acreditam que assim irão directamente para o paraíso sem punição dos pecados. Por outro lado, encontramos os suicídios colectivos levados a cabo normalmente por seitas, como foi o caso da passagem do cometa Halley, em que os 39 membros da seita “Heaven’s Gate” foram para um rancho e se suicidaram na esperança de irem na cauda do cometa.
Todos os exemplos até agora mencionados foram de casos em que as pessoas de certa forma se conseguem aperceber que estão a ser manipuladas. Contudo, existem casos no mundo em que pessoas são manipuladas sem se aperceberem de nada; julgando que aquilo que fazem é o correcto. Tomemos como exemplo um grupo de monges de um templo Hindu na Índia, onde convencem as mulheres a oferecerem os seus cabelos a um santo protector, em troca de uma vida melhor. Até aqui tudo bem, porque cada um é livre de ter as suas crenças; no entanto, o grave da questão é que esses mesmos cabelos são vendidos pelos monges para os Estados Unidos, a preços elevados, para o fabrico de perucas e bonecas. Outro exemplo bastante conhecido é o tráfico de pessoas, sobretudo de mulheres, jovens e crianças, em que entre promessas de uma vida melhor são completamente manipulados, acabando por entrarem em redes de prostituição e pornografia.
A partir daqui colocam-se-nos as seguintes questões: até onde pode ir a manipulação? Até onde temos o total discernimento de que pudemos estar a ser manipulados? A partir de que ponto é que já não nos conseguimos aperceber de que estamos a ser manipulados?
Será que toda esta pandemia da gripe A não foi uma mera manipulação? A partir da gripe das aves toneladas de tamiflu ficaram armazenadas sem qualquer saída para o mercado. E agora o que fazer com todo este prejuízo? Os grandes laboratórios não concebiam arcar com ele, por isso a única solução era aparecer uma nova doença para a qual eles fossem necessários, e daí surgiu a gripe A. Assim, os tamiflu já conseguiam ser vendidos, e para ainda obterem mais lucro foram desenvolvidas vacinas que todos os governos compraram; e que agora, acalmado todo este tumulto, e não tendo saída estão a vender para os países pobres. O aparecimento desta doença gerou o pânico nas populações, e este foi alimentado pelos media e pela indústria farmacêutica. Para além de tudo isto ainda sobrou lucro para as indústrias de desinfectantes, que cada dia surgiam com um novo produto. Outro exemplo é o caso Maddie, em que a polícia portuguesa manipulou os media portugueses, os pais manipularam os media ingleses, os governos de ambos os países também se envolveram, e a justiça até hoje ainda não resolveu o caso.
A alimentação é outro caso bastante pertinente de manipulação. Quando uma indústria recolhe quantidades excessivas de um certo alimento, para este não baixar de preço e consequentemente se perder lucro, as quantidades excessivas são destruídas. Outra questão também muito caricata é o facto de um certo alimento durante um determinado período de tempo ser aquele que melhor faz à saúde, depois deixa de o ser, e se for preciso volta a sê-lo novamente. Pelo que depreendemos que a causa para tal não seja a saúde pública mas sim interesses económicos. Será que foi preciso chegar a 2010 para que a água do Douro começasse a matar os polvos? Porque é que o mesmo não se sucedeu nas maiores cheias de sempre das décadas de 60 e 70? Como é que uma pequena quantidade de água doce comparada com a imensidão de água salgada do oceano consegue atacar tantas toneladas de uma única espécie? Será mais uma vez manipulação, ou será que os polvos se andaram a portar mal?
Tudo isto para chegar à conclusão de que a nossa sociedade tem tanto de manipulação como tanta água tem os oceanos. Em que por mais cristalina que seja a informação há sempre certos componentes que passam despercebidos. E de persuasão como água no deserto, em que quando pensamos que ela está mesmo ali à nossa frente…não passa de uma miragem.

Maria Inês Lobo Almeida

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Dia Internacional da Filosofia (19 de Novembro)

O Dia Mundial da Filosofia foi instituído pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Todos os anos ele é comemorado na terceira quinta-feira do mês de Novembro.

FILOSOFIA (Demonstração e Argumentação )

Na argumentação a conclusão é mais ou menos plausível; as provas apresentadas são susceptíveis de múltiplas interpretações, frequentemente marcadas pela subjectividade de quem argumenta e do contexto em que o faz. Na argumentação procura-se acima de tudo, convencer alguém que uma dada tese é preferível à sua rival. É por isso que só se argumenta nas situações em que existem várias respostas possíveis. Toda a argumentação implica deste modo o envolvimento ou comprometimento de alguém em determinadas teses.

Na demonstração a conclusão é universal, decorrendo de forma necessária das premissas, e impõe-se desde logo à consciência como verdadeira; as provas são sem margem de erro e não estão contaminadas por factores subjectivos ou de contexto. A demonstração assume um carácter impessoal. É por isso que podemos dizer que a mesma foi correcta ou incorrectamente feita, dado só se admitir uma única conclusão.

Trabalhos dos alunos (Filosofia)

Visão do ser humano perante si e o mundo

A importância de fazermos uma introspecção, uma pausa para pensar na vida, uma reflexão acerca do Mundo, uma procura do conhecimento geral, é bastante relevante para nos formarmos enquanto pessoas e verdadeiros seres humanos. Aquilo que melhor nos caracteriza é, sem dúvida, o pensamento. Temos em nossa posse algo de muito valioso e, por isso, devemos fazer uso dessa mesma capacidade que tão bem nos difere dos outros seres vivos. E dar-lhe verdadeira utilidade, começa a partir do momento em que nos questionamos sobre nós próprios, isto é, quando cada um de nós se pretende conhecer. É nessa altura que decide conhecer o outro.
O ser humano tem a grande necessidade de interagir, precisa de um meio em que se possa sentir devidamente integrado e com o qual possa conviver. Esse meio é a sociedade, que o molda e o transforma a partir do momento em que vem ao Mundo. A questão que se coloca é: será que a sociedade torna melhor ou pior o ser humano? Todos os valores e ideologias que fazem parte da nossa vida foram-nos incutidos pela sociedade desde cedo, porque, por mais que tentemos, pelo menos no início da nossa vida, somos sempre influenciados por ela. No entanto, temos o direito de escolher, de tomar as decisões que quisermos. E apercebemo-nos disso, essencialmente, quando fazemos a tal introspecção e tomamos consciência do que somos e de tudo o que nos rodeia.
A auto-reflexão deve começar com a vontade e curiosidade para ir ao mais profundo de si; encontrar-se-ão desde emoções, sentimentos, ideologias a sonhos, pensamentos e perguntas sem resposta que pairam na mente. É nessa altura que nos apercebemos que não só de uma forma impulsiva mas também controlada conscientemente, nós vamos dominando o nosso ser e o mundo que nos rodeia. Esse domínio será tanto maior quanto melhor estivermos preparados, isto é, será de todo conveniente que já se tenha passado por um processo de reflexão como forma de prever as diversas situações que se nos oponham.
Tendo como referência duas situações distintas de dois seres igualmente racionais, é possível compreender a importância do estudo interior, de uma auto-reflexão. Supondo que há um individuo cuja mentalidade se baseia no “tomar consciência de si e dos outros”, que reflecte acerca da sua vida, dos seus objectivos no Mundo, que procura um rumo para seguir, que toma as suas decisões sem qualquer tipo de interferência, e um outro, cuja presença no mundo é marcada apenas pelo facto de existir, sem procurar saber o sentido da sua existência, sem pensar sequer em procurar explicações, e que vive apenas à base do impulso e do agir sem pensar, irão destacar-se importantes diferenças entre eles, nas suas perspectivas sobre o que os rodeia e nas suas acções. Em qualquer tipo de situação com que eles se deparem, as suas escolhas e atitudes serão diferentes. Num momento negativo das suas vidas, certamente, aquela pessoa que se conhece, que sabe as suas limitações e aquilo que consegue fazer, lidará de forma mais consciente e terá mais sucesso, pois sabendo que pode controlar a sua forma de pensar, de sentir e de agir, terá uma atitude mais activa de procura do seu bem-estar. Enquanto que o outro indivíduo terá uma atitude mais passiva, deixando-se levar pelas circunstâncias em que se encontra, pelos seus impulsos e como não tem qualquer tipo de objectivo nem um qualquer trilho para seguir, deixar-se-á levar a baixo.
Tudo o que foi dito, resume-se a uma ínfima parte daquilo que trata a filosofia. Desde a altura em que nos propusermos a usar o pensamento e quisermos ir mais além, estaremos a fazer uso dela, e isso permitir-nos-á ser pessoas melhores e com mais conhecimento. Deste modo, a convivência na sociedade e no mundo será bastante mais fácil, e todos estarão a ser levados pelo mesmo, que consiste em ser verdadeiros seres racionais.
Cláudia Costa, 11ºB
Violação dos Valores Humanos

A
ctualmente a comunidade humana vive rodeada de uma série de mecanismos e outras estruturas que contribuem para que o ser humano possa viver melhor como tal, e possuir dessa forma melhores condições de vida. No entanto o que se assiste ao fim ao cabo é a existência de um ser humano egoísta, não social e capaz de usar qualquer oportunidade para beneficiar mais e mais desse bem-estar, sem olhar a meios. Mesmo que essa opção possa provocar prejuízo ou infortúnio a outros indivíduos, ou até violar a sua dignidade humana. Acerca deste assunto podemos englobar diferentes problemáticas que afectam a sociedade, como o racismo, a xenofobia, a corrupção, o crime, entre outras formas deste tipo de violação, que encontramos diariamente em todos os meios de média. Todos os dias, somos bombardeados por notícias de jornais, cartazes que vemos rapidamente quando vamos de carro, mas que rapidamente se abstraem da nossa mente, porque logo de seguida nos surge uma outra informação acerca de um outro qualquer assunto. No fundo o ser humano é informado de todas estas problemáticas, mas é de uma forma tão rápida confrontado com tanta informação que acaba por não dar a devida atenção a aspectos importantes. Quando ligamos a televisão ou a rádio ou simplesmente ao desfolhar de um jornal, vemos notícias de mais um assalto à mão armada que provocou mortes, ou que temos mais um representante político corrupto que desviou, não sei quantos milhões de euros, ou até mais um grupo de pessoas de etnia ou raça diferente que foi agredida e penalizada social e economicamente apenas devido ao facto de ser racial e etnicamente diferente. No entanto estas informações passam a ser o quotidiano de todos nós como cidadãos e não dispomos a devida atenção a estes fenómenos. Porque isto é mesmo grave, é uma problemática que vai contra todos os valores e dignidade humana, mas parece que ninguém quer saber.
Todo o ser humano como cidadão que é considerado, e que vive em sociedade não pode continuar a agir desta forma, ou melhor deve começar e tomar a iniciativa de agir. Agir requer que se reflicta e que se sigam os verdadeiros valores e que ao pensarmos, não coloquemos a dignidade de outro em causa. Pois o que assistimos é a um reagir do ser humano, ou seja, este comporta-se como um animal não racional, que é orientado por impulsos e todas as suas acções são baseadas em desejos imediatos que não são devidamente ponderados e que não sofrem uma reflexão quanto aos prós e contras, principalmente uma reflexão quanto aos contras.
Mas afinal, será que este desrespeito mútuo entre seres humanos é de agora? Será que agora esse desrespeito é maior? Ao colocarmos na nossa mente facto históricos, concluímos facilmente que o desrespeito por alguns valores era muitas vezes ignorado e a dignidade humana nem sequer existia na maior parte dos casos. Exemplo disso mesmo eram os regimes ditatoriais, em que um indivíduo que à partida tem os mesmo direitos e deveres perante a sociedade em que se insere que todos os outros que nela coabitam também. No entanto, este para o seu próprio bem e seguindo princípios imperialista e de carácter poderoso, apodera-se do “controlo da sociedade” e manipula os outros cidadãos, muitas vezes obrigando-os a trabalhar para ele, sem condições, maltratados, violentados, extorquidos, entre outras acções que se podem classificar de imorais. Com o passar do tempo a mentalidade do ser humano alterou-se, deu-se uma revolução e explosão ao nível do desenvolvimento científico-tecnológico, isto surgiu principalmente após a 2ªGuerra Mundial, que através da assinatura de vários acordos entre os países permitiu uma paz mais ou menos “robusta” que desencadeou este desenvolvimento. Paralelamente, foram formadas instituições e organizações que têm por fim assegurar e promover a divulgação dos direitos humanos e dos valores de dignidade humana que nunca deviam ser violados. Anteriormente a estas organizações pode-se tentar facilmente compreender o porque de todas aquelas violações dos direitos do homem e do respeito pela sua dignidade. E será que agora faz sentido ainda a existência desta violação de valores? Será o ser humano realmente racional? Cientificamente está provado que o ser humano é um ser racional, no entanto este continua a agir sem respeitar valores dignos para o ser que é e não respeita a dignidade. Existem organizações mundiais, ou mais restritas a um determinado país ou continente, que promovem medidas de correcção a atitudes que o ser humano toma e que violam a dignidade. O ser humano como racional, deveria ter a capacidade de corrigir os seus actos, sem ser preciso a intervenção destas organizações. Actualmente assistimos muitas vezes às mais repugnantes formas de maltratar seres humanos, violar os seus direitos, a sua própria dignidade. Somos confrontados com entidades de grande prestígio e de algum reconhecimento na sociedade em que se insere, que deveriam ser as primeiras a dar o exemplo e a promover esses direitos, a serem acusados de pedofilia, por exemplo, em que crianças inocentes são torturadas, exploradas sexualmente, podendo impedir que no futuro o homem ou a mulher que se irá desenvolver não possa porventura ter filhos. Pior ainda os danos morais e psicológicos causados nesse indivíduo, o sofrimento causado… Outras formas de violar esta dignidade, e principalmente a igualdade entre seres humanos, é quando há corrupção, que embora possa não nos afectar directamente, existem pessoas que foram prejudicadas e passaram a viver na miséria, ao fim de anos de trabalho para conseguirem, de forma honesta, uma vida minimamente decente e de qualidade, prejudicadas por um indivíduo que não olha a meios para atingir os seus fins ou objectivos e consegue extorquir esse “pequeno tesouro” de outro individuo que trabalhou. Embora seja de certa forma menos forte, se quisermos, acaba por ser um grande desrespeito à igualdade, e uma enorme violação aos valores. Ponhamo-nos por instantes na situação de um trabalhador que dedicou uma vida inteira, ou parte dela a trabalhar para a sua vida e para o bem da sua família e é roubada, ficando sem nada por causa de um irracional que por não querer trabalhar, decide ganhar a vida imoralmente e de uma forma étnica totalmente incorrecta. Infelizmente existem inúmeras formas de desrespeitar estes valores, a dignidade e inferiorizar outros indivíduos em prole de outro que é imoral.
Será que as organizações ou instituições que surgiram após a 2ª Guerra Mundial, têm como fundamental objectivo ajudar a promover os valores e a paz no mundo ou funcionam apenas como uma empresa que visa apenas o lucro? No final da guerra, deu-se a queda mais ou menos sequencial das ditaduras e dos regimes de opressão em quase todo mundo, o que permitiu esta visão, liberdade de escolha, opção e iniciativa. Não precisamos de ir muito longe para constatar que existem certos pontos duvidosos na constituição de algumas organizações, por exemplo, aqui mesmo em Portugal existem organizações de ajuda humanitária, que distribuí alimentos ou outros bens pelos mais desfavorecidos (muitos destes foram vítimas de violações expressivas dos valores da dignidade humana). Estas organizações muitas das vezes necessitam do apoio de pessoas mais abastadas que contribuem para o apoio desta instituição, pois estas carecem de bens que necessitam para ajudar. Então porque alguns administradores destas organizações recebem salários exorbitantes, na ordem dos milhares ou até milhões quem sabe, que poderiam ser utilizados para ajudar estes desfavorecidos. Será que estes que estão à frente de uma organização de caridade ou ajuda humanitária que deveria defender os direitos humanos trabalham mais que um outro individuo que acorde as 7 da manhã trabalha arduamente um dia inteiro, que chega a casa tardíssimo muitas das vezes, e que depois ainda tem a sua família e casa, que precisa de cuidar e que em certos casos ainda têm de trabalhar em casa sem serem remunerados pelas suas designadas horas extras.
No futuro será igual, o ser humano irá agir, ou melhor reagir da mesma forma, ou quem sabe talvez pior, porque a diferença entre seres humanos vai acentuar-se, e isto devido a um aumento do desrespeito e da violação do direitos do homem. De facto, não citei homem como ser social, mas sim apenas como concepção que temos de que é cidadão e de que vive em sociedade. Será que Aristóteles está certo quando afirma que “O Homem é um ser social”? Talvez não, pois o que se verifica não é uma vivência em sociedade, em que todos deveriam se cingir a princípios básicos de cortesia e respeito mútuo, em que a dignidade de todos, passo a reforçar, de todos os cidadãos é respeitada, e uma sociedade em que como base está um fim comum e não a obtenção de fins individuais e que condicionam os direitos de alguns. Na maior parte das vezes, para que um atinge os seus fins pessoais, é necessário a violação dos valores da dignidade humana de uma infinidade de cidadãos. O ser humano é considerado social porque necessita de estabelecer relações entre outros seres humanos, e será que estabelece mesmo relações, ou não passam de ligações estritamente necessárias, interesseiras e falsas que visam o interesse individual.
Em jeito de conclusão, o ser humano pode não ser um verdadeiro cidadão, ser social pertencente a uma sociedade em que todos se deveriam respeitar entre si, a dignidade humana é tomada como razão a tomar sempre em conta e os seres humanos se relacionem entre si de uma forma verdadeira e consciente. É importante reflectir sobre este problema, pois talvez devêssemos tomar uma atitude mais racional e passar a agir segundo princípios de respeito mútuo e não apenas a reagir a desejos imediatos, sem nunca pensar nas consequências para com terceiros.
Henrique Silva Fernandes, nº9, 11ºB
Uma outra perspectiva

Escolhi abordar este tema, o desporto, mais precisamente a modalidade de ténis, pois é das áreas que mais gosto e como tal que domino melhor. O ténis fascina-me não só por tudo aquilo que conhecemos deste desporto que facilmente observamos, por exemplo, na televisão, mas sobretudo pelo que está por detrás daquilo que não vemos. Este é um desporto muito completo não só pelo sua componente física e táctica, mas também por toda a parte mental que acarreta consigo. Tem que se conjugar uma data de aspectos ao nível psicológico, como a ansiedade, a confiança, o medo, a auto-estima, etc. Claro que estes sentimentos são presenciados em muitas outras situações da nossa vida: escola, emprego; bem como em muitos outros desportos; mas o que o torna tão particular é o facto de ser um desporto individual, em que estamos sozinhos no court, não há uma equipa para nos apoiar e passar por tudo isto connosco, e a maior parte das vezes não há a presença do treinador para nos dar indicações das estratégias mais adequadas. Por isso, temos que ser nós, sozinhos, a pôr em prática tudo aquilo que aprendemos e treinámos, servirmo-nos disso e ajustarmos todos esses conhecimentos ao adversário em causa naquele momento, visto que todos são diferentes e todos têm as suas particularidades. Sendo assim, por estes factos apresentados, ganhamos desde logo uma responsabilidade e autonomia, que vão ser muito importantes não só ao serviço do desporto mas também ao longo da nossa vida. E foi segundo esta reflexão que decidi abordar este tema, falarei do caso particular do ténis e depois irei transpô-lo para a sua relevância ao nível da nossa integração na sociedade.

Ser confiante, ser positivo e acreditar nas capacidades
Ensinar um jogador a acreditar nele é crucial para o sucesso. Os vencedores irradiam uma atitude positiva e confiante.
Eles recusam a possibilidade de falhanço. Eles sabem que podem e sabem que vão atingir os objectivos que se propõem a atingir. As conversas que os jogadores têm com eles próprios são fundamentais para o desenvolvimento dessa atitude. Aquilo que se pensa é aquilo que se consegue. Uma pessoa normal tem cerca de 60 000 a 80 000 pensamentos por dia. Muitos destes pensamentos são repetidos milhares de vezes, pelo que é preciso aprender a controlá-los de modo a podermos beneficiar deles. Nós… somos aquilo que pensamos que somos.
Um pensamento positivo engloba a confiança que podemos ter sucesso. Os grandes jogadores aprendem a controlar esses pensamentos e enchê-los de pensamentos positivos. Isso por si só já trará sucesso, que por sua vez trará mais sucesso. O sucesso alimenta o sucesso, criando uma corrente positiva na carreira e na vida do atleta.
É crucial elogiar o que é bem feito de modo a desenvolver esta competência no atleta. No entanto, o atleta não pode limitar-se às opiniões do treinador, dos pais, dos parceiros de treino ou de outros sobre as suas capacidades, tem de desenvolver um espírito de auto-crítica e de noção do que está bem e do que correu bem dentro de um jogo de modo a poderem desenvolver eles mesmos a capacidade de valorização do seu jogo e de si próprios que é vital em qualquer actividade, quer seja ela desportiva ou não. O jogador tem de saber auto-elogiar-se, e quando o fizer tem de o fazer com sentimento! Quanto maior o sentimento, maior será o entusiasmo e a energia inserida dentro do jogo.



Linguagem corporal
Os pensamentos, sentimentos e comportamentos afectam bastante o desenrolar de um jogo. Se o atleta agir confiante, vai-se sentir confiante, e isso irá influenciar o adversário visto que se trata de um desporto de confronto directo. A postura do atleta afecta a sua confiança, a sua atitude e a forma como se sente. Não deve mostrar ao adversário como se sente, devemos deixar que ele adivinhe e mostrar que estamos sempre por cima. Demonstrar uma presença física forte.

Positivismo
Tanto os treinos como os jogos não irão correr sempre da forma como queremos, a diferença entre os vencedores e os outros é que os primeiros são capazes de interpretar a situação e adaptar-se.

Rotinas
Uma forma de minimizar as distracções e focalizar a concentração para o jogo é o desenvolvimento de rotinas ou rituais. O serviço, por exemplo, é a melhor forma de desenvolver essas rotinas, visto ser provavelmente o gesto mais importante do ténis, e para além disso, está sob o controlo total do jogador que serve. Uma rotina é algo que deve ser praticado como qualquer outro aspecto técnico dentro de um treino até se tornar perfeitamente natural e habitual para o jogador.
As rotinas ajudam a reduzir a ansiedade e fazem focar a concentração nos aspectos mais importantes do serviço. Todos os jogadores de top têm rotinas. As suas rotinas e rituais mantêm-se as mesmas ao longo do jogo visto que foram planeadas, aperfeiçoadas e praticadas ao longo de elevados períodos de tempo de treino.

Envolvimento
Estar familiarizado com o ambiente que lhe rodeia é vital para o sucesso. Geralmente, antes das Olimpíadas, quase todos os atletas candidatos a medalhas que têm essa oportunidade, fazem a viagem ao local em que vai decorrer a competição de modo a ambientar-se ao local de treino, de competição, aos balneários, disposição do público, e até mesmo à viagem em si de modo a facilitar a visualização. De facto, apenas conseguimos visualizar aquilo que já vivemos.
Igualmente importante quando falamos de envolvimento, é o local em que o atleta vive e principalmente as pessoas de que se rodeia. Deve colocar posters e mensagens no quarto de modo a manter-se motivado e saber todos os dias até onde quer ir. Deve rodear-se de pessoas positivas e encorajadoras que suportem as suas decisões.
Sucesso atrai sucesso. As pessoas que têm bastante sucesso, não o devem apenas a uma questão de sorte, eles têm uma estratégia e uma série de aspectos que fazem de uma forma regular e que criam a base para o sucesso na vida. É uma questão de atitude e o atleta deve tentar estar rodeado dessa atitude. Ao passar tempo com pessoas que atingem o sucesso em determinadas actividades irá perceber os ingredientes para o sucesso e isso ajudar-lhe-á enormemente em qualquer actividade em que se envolver.

Visualização do sucesso
Os vencedores vêem aquilo que querem que aconteça. Os que não atingem o sucesso vêm geralmente aquilo que têm medo que aconteça. Os vencedores têm imagens claras de bons batimentos realizados por eles numa situação de treino ou de competição. Anos de investigação e aplicação das descobertas científicas falaram da importância da visualização conjugada com a prática para construir a auto-confiança e a capacidade para jogar com sucesso.
Deve tentar visualizar o futuro da forma como ele quer que seja e não da forma como ele teme que seja. Qualquer que seja a sensação o jogador deve senti-la com toda a energia e fazer esses sentimentos fazer parte dele próprio, viver e treinar com a sensação que já conseguiu o que queria. Pensar na sua cabeça como se fosse real, porque se fizer isso haverá maiores probabilidades de realmente se tornar real.

Preparação antes do jogo
Quando há preocupação com todos os detalhes, o melhor ténis aparece naturalmente. A “sorte” favorece aqueles que se preparam melhor.
Acabada a preparação, é a hora de ir para o campo jogar e divertir-se, sabendo que se fez tudo o que estava ao alcance para se preparar para o jogo em causa.

Focar no presente e no jogo
Não nos devemos preocupar com o resultado, devemos jogar no presente, ou seja, preocupando-nos com o ponto que está a ser jogado, no batimento que vai ser realizado e na táctica que se vai usar no próximo ponto, de acordo com o plano estratégico. Convém esquecer o passado e o futuro, e concentrarmo-nos apenas ponto a ponto e bola a bola, que o resultado aparece.

Desenvolver independência no jogo de ténis
O desenvolvimento da independência no jogador de ténis é um dos factores mais importantes do desenvolvimento a longo prazo. A capacidade do atleta em tomar decisões positivas avaliando convenientemente as situações é algo que é extremamente importante para o sucesso em qualquer actividade, em que o ténis não é excepção.
A independência de um jogador está intimamente associada ao seu nível de auto-confiança e isto é algo que deve ser desenvolvido desde a base do trabalho com os atletas. Auto-confiança é a capacidade do atleta acreditar nas suas capacidades e acreditar que pode ter sucesso numa determinada tarefa.

Relevância social
Todos estes aspectos apresentados no âmbito do ténis podem facilmente transpor-se para situações do nosso quotidiano, não só aquelas com que nos deparamos regularmente ao longo de um dia de trabalho, mas também aquelas que nos surgem em situações mais particulares da nossa vida em que somos obrigados a tomar decisões de extrema importância.
Por isso, aqui o facto de se praticar uma qualquer modalidade desportiva, não é visto somente como uma forma de nos mantermos saudáveis e de trabalharmos para uma melhor forma física, mas sim, desenvolver também capacidades intelectuais e emocionais que nos permitam ter um melhor desempenho. Este desempenho pode referir-se primeiramente à modalidade, no entanto, também se aplica a toda a nossa vida. Como tal, praticar um desporto, principalmente quando somos adolescentes e jovens, em que nos estamos a desenvolver como pessoas e em que a nossa personalidade ainda não está completamente formada, tem uma grande importância. Uma vez que, faz-nos perceber e encarar a realidade de um outro ponto de vista, sermos mais ponderados nas nossas decisões, ganharmos mais responsabilidade perante as nossas atitudes, sabermos lidar com diferentes estados, como ansiedade, stress, medo, etc., e melhorar a nossa relação com os outros. Já que, ao longo de todo o nosso envolvimento nessa modalidade vamo-nos conhecendo cada vez melhor e vamos aprendendo a lidar com isso mesmo. Aprendemos, assim, a controlar as nossas emoções, ambições, medos, como também, e sobretudo este aspecto, aprendemos a descobrir aquilo que temos que fazer para melhorar, e o que está por detrás do nosso sucesso.
O ténis, como em muitas coisas que fazemos durante a nossa vida, passa sobretudo por uma luta constante contra nós próprios. Temos que lutar contra os nossos defeitos, contra tudo aquilo que nos impede de avançar e de sermos melhores, e contra todos os receios que inevitavelmente estão patentes nas nossas ambições e nos nossos objectivos. E ao conseguirmos isso tornamo-nos cada vez mais fortes e aptos a todas as situações e contratempos que nos possam surgir.
Em casos mais específicos, como por exemplo na escola que é aquele com que estamos mais familiarizados, em praticamente tudo podemos aplicar conhecimentos que adquirimos com a prática de uma modalidade, como as capacidades e técnicas de auto-conhecimento que vamos desenvolvendo. Assim conseguimos controlar melhor a nossa ansiedade nos testes e nos exames, lidar com a competição que existe sempre a nível de notas por exemplo entre alunos, e equilibrar e controlar os níveis de auto-estima e confiança.

Maria Inês Lobo Almeida, 11B